Deixe a luz passar!

Deixe a luz passar!
Fiat lux!!!

quinta-feira, 12 de janeiro de 2017

Com o vento!


Vou seguir com o vento.
Entrar em cada fresta de muro e derrubar barreiras
Vou te buscar nas entranhas mais secretas.
Vou seguir com o vento
Acariciar teus cabelos e sussurrar ao teu ouvido.
Vou pensar que por um momento somos únicos.
Vou seguir com o vento
Povoar os desertos e as montanhas
Soprar as superfícies dos rios.
Vou seguir com o vento
Chegar aos pólos e depois
Penetrar os vulcões.
Vou seguir com o vento
Voltar pra casa
E começar tudo de novo!

sábado, 21 de abril de 2012

Enquanto a lua passeia!


http://1.bp.blogspot.com/-2V16rr73v2s/TzKe7KjrUOI/AAAAAAAABX0/AYxbuzrbKYc/s320/Arcanjo+Lycan+Na+Noite+de+Lua+Cheia.jpg

Enquanto a lua passeava em sua rotina celeste eu permanecia parado, acompanhando apenas com o olhar sua trajetória. Senti um pouco de frio e me acomodei na rede, puxei suas bordas e me cobri. O corpo aquecido quis dormir, mas teimei em continuar acordado revendo minhas lembranças: lugares, pessoas, aromas e um menino que habitou alguns tristes pores de sol nas montanhas de Minas Gerais.

Lembrei da avó que o levou a conhecer e reconhecer as plantas medicinais e que o pôs à prova em momento de real necessidade. Saiu-se bem. Aprendeu direito. As feridas foram curadas e até hoje sabe o poder que tem a “carobinha do campo”. Seu irmão talvez nem se lembre disso; o menino sim.
A igrejinha hoje nem existe mais, derrubaram. O gente que gosta de apagar a memória do povo. Impossível não lembrar, neste momento, de George Orwell (Eric Arthur Blair) e seu 1984 sempre atual.

Acabaram com a estrada de ferro que ligava a cidade a, salvo engano, Tiradentes. Tá lá a máquina parada, virou peça de admiração das pessoas, podia estar fazendo um bom trabalho e gerando renda para o município e o povo, trazendo e levando gente.

Até o riacho em que o menino costumava cruzar pisando nas pedras já mudaram. Tudo bem, fizeram uma ponte bem legal e útil a todos, espero; não pude constatar.

Quer saber não sou contra mudanças, mas é foda quando matam nossa memória, nossa história e destroem nossa identidade.
O Mestre Severino sabia de tudo e o Pedrinho de todos. Ambos deixaram sementes que estão germinando, mas que estão ocupados tentando construir e viver suas próprias histórias.

Revisitei a ponte em construção. Hoje já mais que acabada, resiste sobre a linha férrea. Não sei como me deixei convencer em meus plenos seis anos de idade, por meu primo e um bando de loucos moleques irresponsáveis, a passar sobre aquele monte de ferro armado e pronto para receber o concreto. Não sei mesmo, mas passei. Era um teste, agora me dou conta, também passei, a prova é que estou aqui. Tá, já tive muitos pesadelos por conta disso, mas e daí, eu os teria de qualquer modo e ainda os tenho. O bom é que criança voa e voando escapa de tudo, até dos pesadelos.
Por falar em pesadelos o cemitério da igreja foi o campeão em minha vida. Aquele lugar povoou meus sonhos mais que qualquer outro; tenho certeza disso.

E a Guiomar, aquela mulher estava mil e trezentos anos à frente de seu tempo. Acho mesmo que caiu de alguma nave interestelar que passava por ali, de bobeira, dando um rolé: pimba! Caiu e ficou pra trás. Sorte tê-la conhecido agora e sem medo.

O Doutor Euclides acho que era farmacêutico e curava tudo. Sinto cheiro do iodo e o vejo em seu habitat. Só tenho dúvidas de sua aparência, devo tê-lo visto umas duas ou três vezes em toda a minha existência lá.

Tio Mané foi o cara mais engraçado que conheci e que humor tinha aquele sujeito. Dele guardarei o céu estrelado que vi pela primeira vez montado em suas costas, com a cabeça inclinada para trás, descendo o morro aos solavancos de suas passadas. Depois disso nunca mais deixei de olhar o céu. Obrigado, Tio Mané!

http://www.1000dias.com/fototmp/574-ceu-estrelado-no-vale-do-matutu---mg-dsc_0845.jpg

Tia Tunica me conduzia pela mão, pacientemente, até a lavoura onde meu pai trabalhava como empregado. Não me lembro de como se chega nesse lugar, mas me lembro muito bem da estrada por entre a plantação de tomates - sinto, até hoje, o perfume dos frutos verdes e de alguns já amadurecendo - e do encontro com meu pai, na chegada. Não falava ainda, mas, se falasse, diria que aqueles foram momentos muito felizes.

Será mesmo?


As histórias são as mesmas; o que muda é o contador.

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Luz e silêncio!

Imagem: http://blog.tui.ua/ice-cave/

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Zé Tal: O mistério do 14 Bis!!!

Zé Tal: O mistério do 14 Bis!!!

O mistério do 14 Bis!!!


Um sábado qualquer de minha existência. Mas, um sábado do qual sempre me lembro.
Terminadas as aulas no Ginásio Municipal - tínhamos aulas até aos sábados pela manhã -, nos reunimos como sempre e procuramos saber qual era a boa para o dia, melhor, para a noite. O Gilmar, parceiro desde os tempos do segundo ano primário - era assim que contávamos as séries naquele tempo -, me adiantou que um conhecido estaria se casando e haveria uma comemoração à noite, na casa da noiva.
Isso era tudo o que precisávamos saber. Uma festa de casamento. O sábado prometia: muitas garotas, talvez uma cerveja e batidinhas. O mais importante era chegar com o convidado, pois afinal ele era o passaporte para a entrada. Depois de muitas perguntas e orientações sobre onde seria e a que horas deveríamos nos encontrar para prosseguirmos juntos, cheguei à conclusão que acertaria chegar lá, caso houvesse desencontro.
Cheguei em casa, almocei e desci para encontrar outro parceiro de aventuras mil: o Valdir. Anunciado o programa para aquela noite e alguma conversa sobre como poderíamos nos dar bem, nos despedimos e cada um tratou de se organizar para o casório do sábado à noite.
A noite caiu acompanhada de uma chuva fina. Isso era mau. Naquela época não havia asfalto em Duque de Caxias, como há hoje. Era muita lama, bastava uma garoazinha e lá estávamos todos em apuros, particularmente em relação ao binômio sábado/festa.
Bem, o fato que quero contar começa aqui. Eu morava numa encosta de morro que tinha um outro à frente determinando um vale, cuja região era totalmente ocupada por moradias. Nossa casa era alugada e ficava nos fundos e acima da residência do proprietário, “Seu” Altivo, o que nos propiciava uma vista privilegiada do lugar. Da varanda de casa ou do muro sobre o barranco podíamos assistir às aproximações das aeronaves em pouso no Aeroporto do Galeão, o que me impressionava muito. Mas, nesse dia, não se via qualquer aproximação, porque, hoje sei, o teto estava muito baixo devido à tal chuva e à camada de nuvens stratus que cobria o morro em frente até quase à altura dos postes de iluminação pública. Foi nesse cenário que vi algo do qual nunca me esqueci e acho mesmo que nunca vou me esquecer.


Quando comecei a descer as escadas para passar por trás da casa do “Seu” Altivo e acessar a rua, vi algo que me chamou a atenção, sem me alarmar – hoje talvez entrasse em pânico com aquela visão-, caso voltasse a vê-lo em condições parecidas. Vi, acreditem ou não, o 14 Bis voando abaixo da camada de nuvens e no sentido oposto ao da aproximação dos aviões que pousavam no Galeão e sem emitir qualquer ruído. Achei curioso e só. Ao ganhar a rua, parei na calçada que era bem alta, quase no plano do terreno, mais ou menos um metro de altura, e ali permaneci até quando o 14 Bis desapareceu.
Caminhei uns cinqüenta metros até chegar na casa do Valdir e o chamei. Ao lado morava a Regina, irmã de outro amigo, o Paulinho “Cesária”, apelido maldoso que ganhou devido à enorme cicatriz que ostentava no abdome, fruto de uma cirurgia não sei de quê. Comentei com ela o ocorrido enquanto aguardava o amigo. Ela, naturalmente, não acreditou e ainda fez alguma chacota. Contei ao Valdir que só riu, como de praxe e seguimos em busca da festa.
Não encontramos o Gilmar, amassamos todo o barro que alguém poderia amassar numa situação semelhante e, para nossa decepção, não encontramos a tão desejada festa. Pelo que o Gilmar disse no dia seguinte, passamos várias vezes próximo ao local e não o identificamos.
Hoje, com meus cinqüenta e dois anos, ainda me pergunto o que teria sido aquela visão do 14 Bis.
Ah, uma pequena coincidência da qual não posso esquecer de comentar, a rua em que morava no número 137 chama-se até hoje Santos Dumont.
A despeito das possíveis hipóteses, eu não consumia substâncias alucinógenas; é bom dizer.

Imagem obtida de: http://www.google.com.br/imgres?q=14+bis&hl=pt-BR&biw=1280&bih=890&gbv=2&tbm=isch&tbnid=vaLnyXdd2u_22M:&imgrefurl=http://www.photoshoptotal.com.br/papel-de-parede/1154/santos_dumont_14_bis&docid=ogfgtH2TIHIeUM&w=561&h=421&ei=sbpuTpf4BcO2tweqis2NCg&zoom=1&iact=rc&dur=776&page=8&tbnh=131&tbnw=172&start=210&ndsp=30&ved=1t:429,r:29,s:210&tx=115&ty=81

domingo, 11 de setembro de 2011

Depois da chuva...!!!


A chuva chegou, tirou a poeira de nossas caras e casas, lavou tudo e todos, renovou a esperança e a memória adormecidas, trará logo o verde aos olhares, fará brotar vida por todo canto.
Vida a voar, a nadar, a verdejar.
Hoje mesmo os sabiás laranjeiras cantavam anunciando sua disposição em continuar essa ciranda da vida.
O casal de canários da terra que elegeram como lar sazonal um bambu gigante que temos pendurado na varanda, já chegou pela terceira temporada, apesar do Sushi, nosso gato preguiçoso e comilão.
E eu... bem, eu estou incluído nesse processo vital, ora como ator, ora como observador atento.
Aliás, os Ipês já haviam anunciado tudo isso.