Deixe a luz passar!

Deixe a luz passar!
Fiat lux!!!

As quatro estações.

Gilda acordou verão. Não tomou conhecimento do ritmo lento que a casa tinha, varreu, limpou, lavou, sacudiu uns três ou quatro pelos ombros e seguiu sua trajetória rumo a outro fazer. Assim foi durante grande parte de sua vida: indo e vindo.

Sílvia acordou outono, meio sem ânimo, cansada, quase triste, pouca conversa, já não cantava e nem ouvia música, o que adorava fazer. Viu que muito precisava ser feito, mas não fazia. Precisava descansar, retomar as energias, revigorar-se. Retirou-se para a casa de uma tia distante e lá esperava se refazer, voltar à vida com o vigor de sempre. Assim fez.

Lídia estava dormindo ontem e hoje ainda não se levantou. Alguns até pensaram que ela havia morrido. Com medo de encontrá-la morta, ligaram para seu irmão que morava na cidade vizinha. Ele veio o mais rápido que pôde e depois de trinta minutos chegou a casa da irmã. Não foi tarefa fácil arrombar a porta e entrar, precisou da ajuda dos vizinhos, que a essa altura tinham certeza do passamento de Lídia. Entraram e lá estava ela, encolhida na cama, olhos semi-abertos, pálpebras pesadas e arroxeadas. Que doença havia acometido Lídia? Ela era tão ativa e agora estava ali em total languidez. Todos choraram por Lídia que por nada se comovia.

Sofia acordou alegre, pulou da cama sorrindo como já não fazia há meses. Correu até a janela e ao abri-la respirou profundamente o ar perfumado que invadiu o quarto. Olhou para a frente da casa e cantou uma canção alegre, colorida como as flores que viu. Sentiu que amaria a tudo e a todos, fez poesia e tomou banho de chuva correndo pelo campo das mentes. Visitou riachos e brejos colhendo cores primaveris. À tarde, sentava-se na varanda e observava o pôr-do-sol calmamente, mas com um olho no amanhecer. Sentia crescer sua energia a cada dia. Que maravilha é viver, dizia.

Como há uma conexão não muito bem entendida entre tudo e todos nesse mundão, um dia ouviram falar uma da outra. Decidiram, cada uma de sua parte, se encontrar. Era estranho, pois quando Sofia e Gilda tentavam chegar a Sílvia ou Lídia, se perdiam mesmo sabendo que estavam próximas de suas casas. Por vezes Sofia pensou ter visto Lídia caminhando lentamente em sua direção, mas não tinha certeza.

Gilda com sua energia estonteante jurou não descansar enquanto não as encontrasse; continua tentando.

Sílvia, apesar do desânimo, também rumava compassada ao encontro das outras, mas logo desistia sempre era tomada pelo cansaço excessivo.

Lídia sentia que devia sair, mas não conseguia falar, quanto mais empreender esforço para caminhar; nem pensar.

Assim a vida de todas essas mulheres continuou por muitos anos, cíclica, previsível, fatídica. Porém em um desses dias em que tudo pode acontecer, surgiu na janela de Lídia um raio de sol que a tocou na face pálida transmitindo calor e luz como nunca havia ocorrido, mas que a cegou obrigando-a a cerrar os olhos por completo. Lídia como que por mágica - acho que foi mesmo -, conseguiu erguer-se na cama, abriu e fechou os olhos repetidamente até acostumar-se à claridade e quis ver mais, sentir mais, abraçar aquele sol que lhe transmitia tanta vida e prazer.

Conseguiu sair da cama e caminhou até a janela, quase sorriu, não sabia como fazê-lo mais. Insistiu e deixou que cada emoção fosse redescobrindo seu ser e por fim já estava em pé do lado de fora pisando a grama que ainda guardava um pouco do frio. Isso a despertou de vez: calor e frio, equilíbrio. Foi quando notou a aproximação de mais três mulheres em volta da praça, cada qual com sua beleza contagiante e pôde assim, perceber por fim a sua própria e única beleza. Encontraram-se brevemente e cada uma seguiu seu caminho, para de vez em quando, se encontrarem e girar ao ritmo das quatro breve estações, mas só quando a saudade bate e o Sol permite a condição da vida.


Quem quer catar guavira?

Os tempos mudaram. Essa expressão não fazia muito sentido para mim, porque ao ouvi-la, sempre havia uma associação com choques de gerações, talvez pela pouca idade e falta de compreensão de detalhes do contexto, despercebidos até então. Mas que mudaram, mudaram.

Foto extraída de:http://pantanalbonito.blogspot.com/2009/10/primavera-na-estancia-mimosa-ecoturismo.html

Hoje percebo nitidamente que os guavirais estão sumindo, desaparecendo do cerrado. A matriz econômica força qualquer proprietário de terra a incorporar monoculturas e gado, ainda, na região. Isso é luta árdua. Os fazendeiros já não se contentam com milho, feijão, arroz e outros cereais que abasteciam as mesas e lhes garantia a educação diferenciada aos descendentes; agora é preciso adaptação ao sistema gerador de capital baseado em energia. Energia para o homem animado, orgânico e para o homem idealizado, racional, impecável. Se não houver energia, nada funciona, mas se o novo paradigma energético for levado a cabo, não haverá energia para o outro homem: o animado, orgânico.

Foto extraída de: http://bonitopantanal.blogspot.com/2008/11/bonito-promove-em-novembro-7-festival.html

Assim é que o cerrado vai perdendo espaço para a cana de acúcar e para as usinas de álcool. Sob o pretexto de trazer progresso econômico para a região, os governos, que representam o povo, vão impondo e materializando abomináveis idéias, sem a menor preocupação com o homem comum:animado, orgânico.

Foto extraída de: http://www.useplanta.com.br/category/planta/gabiroba/#awp::category/planta/gabiroba/

Vi uma fazenda de gado ser transformada em fazenda de plantação de cana. Os fazendeiros mais tradicionalistas estranharam a atitude do vizinho criador convicto de gado de corte e afamado por seu plantel selecionado, com matrizes importadas, que da noite para o dia mudou de ramo. Algo muito sério houve para que isso ocorresse, mas o quê? De certo ele teria alguma informação privilegiada e estava se ajeitando para então lucrar lá na frente. São desconfiados, eles.


Foto de Adriana Saldanha, extraída de: http://espnbrasil.terra.com.br/caravanadoesporte

É, a uva do cerrado agora já não tinha mais o sabor doce que marcava os encontros de famílias inteiras nos campos às tardes para catar a deliciosa guavira. Soube de ouvir contarem, que muitos casais conhecidos se formaram catando guavira. Bons tempos idos e com risco de nunca mais voltarem a mostrar um guaviral como antes. Uma pena, mesmo.

Foto extraída de:http://www.bonitoecological.com.br/index.php?idcanal=42

Resta-nos comprar um picolé da fruta do Delícias do Cerrado, se tiverem, e voltar a sentir o sabor das tardes de verão nos campos de guavira do nosso Mato Grosso do Sul. Maldita macroeconomia, malditos os cegos de espírito.

Esse texto é uma homenagem à dona Maria, sul-matogrossense da região do Apa, que sabe contar histórias como ninguém e que também se identifica com vários aspectos abordados no texto. Mas, principalmente com o da saudade da mocidade e das nuances que a envolviam.

Volta das Nações!!!

O domingo, para mim, começou às cinco e trinta da manhã de onze de outubro de dois mil e nove. Vencer o sono da noite mal dormida e levantar não foi tarefa fácil. Levantei e comecei os preparativos para me dirigir ao local da comemoração: o Estado de Mato Grosso foi dividido atendendo a anseios sócio-políticos e econômicos em 1977. O pavilhão Albano Franco foi o ponto de encontro dos participantes da Volta das Nações, corrida internacional de meia maratona. Bem, se querem saber eu não corri, apenas caminhei cinco mil metros; outros correram dez mil metros. Mas algumas curiosidades aconteceram e desviaram minha atenção.

A primeira delas foi um senhor de Dourados, serelepe, magro e que, me disseram, tinha noventa e um anos. Mentira, ele mesmo me confessou a idade, tinha noventa anos e oito meses. Além de atleta e nonagenário ele tem um tremendo senso de humor, sempre sorrindo e atencioso com os que se aproximam para uma prosa rápida.


A seguir, sem contar com minha habitual câmera fotográfica, mas portando um prático celular, nova aquisição, comecei a clicar a multidão espalhada pela Avenida Mato Grosso à espera da largada, com suas camisetas brancas, verdes e amarelas - discriminação das modalidades de participação na prova.


Encontrei membros da Liga da Justiça; o Homem-Aranha; um homem incomum com pedidos de socorro para o Pantanal e a Amazônia estampados em sua camiseta alaranjada. Pedidos que bem poderiam ser dirigidos também aos participantes para pouparem o lindo córrego que margeia a Via Park e que foi ameaçado pela grande quantidade de copos de água mineral vazios jogados e que certamente penetrariam os bueiros e o atingiriam, mesmo sendo catados após a prova. Penso que uma medida simples como a colocação de cestos ao longo do trajeto poderiam minimizar esse trabalho e possível dano ao córrego.








A cultura do tereré representada pela jovem, simpática e linda Nathalia.

O segundo lugar da prova masculina, um queniano veloz e meio marrento – talvez esteja cansado de correr e de tanto assédio mundo afora.

E uma linda palhacinha sorridente, charmosa e brasileira, que posou para uma foto com a maior simpatia.

Caminhada realizada, restava-nos aguardar o momento mais esperado e sem nenhuma falsidade, o sorteio do carro ofertado pela Rede Morena de Televisão, afiliada da Rede Globo: um Fiat Pálio zero quilômetro. Por volta de onze e meia alguém de nome Ramon saiu feliz e motorizado, compondo uma frota com com o Fiat e um Monza 92. Parabéns ao sortudo concorrente.

Viva o povo sul-mato-grossense!

Viva o povo brasileiro!



O mito é monstro devorador da inteligência humana.



Vêem-se mudanças radicais de comportamento influenciadas e fomentadas pela globalização, pela mudança paradigmática imposta pelos meios de comunicação, pela facilidade de acesso a esses meios e pela velocidade de veiculação de mensagens que eles proporcionam.

O que era traço cultural restrito aos povos primitivos da Oceania, passaram a fazer parte da cultura ocidental. No início, lembro-me bem, algumas pessoas sentiam-se agredidas pelas transformações corporais. Atualmente a prática de alterar a forma e de cultuar alguns ritos importados já fazem parte da percepção visual e atraem a atenção das mídias conquistando novos adeptos.

Lembro-me também dos vikings e de como tomei conhecimento deles em um filme no qual conquistavam uma ilha americana. Eram bárbaros conquistadores e excelentes navegadores que viveram do fim do século oitavo ao início do século onze. Sua mitologia também era bastante interessante. Quem, com mais de, digamos quarenta anos, não lembra do deus Odin? E, de seus filhos Thor e Loki, que originalmente não representavam o bem e o mal, respectivamente, como exposto nos gibis, mas ordem e desordem?

Bem, começo a desconfiar que os mitos devem mesmo cair e que são os grandes monstros devoradores da inteligência da humanidade. O curioso é que são criados pela nossa incapacidade de lidar racionalmente com a ignorância, mesmo que circunstancial, temporal e também com fenômenos naturais que interferem radicalmente com nossas vidas. Penso que estão intimamente relacionados às causas e aos efeito desses fenômenos. Alguns ritos perpetuaram esse ciclo de forma educativa e, creio, mais por uma questão de preservação de espécie do que qualquer outra imediata. Ocorre que os tempos passaram e já não somos mais tão ignorantes de algumas causas e efeitos – aliás, já são até muito bem conhecidos e previsíveis em grande parte. Então, por que manter algumas práticas bárbaras apenas em nome dessa, já desnecessária, pelo menos por esses métodos ritualísticos, sobrevivência? A resposta, talvez não se saiba ainda, não demora e será descoberta e então haverá pressão à mudança; quem sabe criando outros meios de afirmação menos agressivos e destruidores da vida.

Graças à internet recebi uma mensagem ilustrada com estas fotos mostrando a crueldade para com os golfinhos Calderon na Dinamarca. Claro que esse ato se justificava em tempos remotos, afinal precisavam de guerreiros mais do que ecologistas; então, um ato de coragem afirmava o caráter e postura desejados; entendo assim.

Ora, se uma civilização é copiada ou admirada em muitos de seus aspectos culturais, seja porque há uma excelente propaganda midiática ou porque suas práticas éticas direcionam o homem a um futuro responsável, com gente pensando holisticamente no planeta e seus recursos de toda ordem, não se justifica uma prática dessa natureza apenas porque um rapaz do século vinte e um precisa saber que está amadurecendo e porque seus ancestrais o fizeram necessariamente.

Registro meu protesto contra essa matança, a de baleias, de focas, de gorilas e toda a incompreensão e atrocidades, conscientes ou não, para com a vida e principalmente contra o próprio homem, não importando os motivos.

Imagens copiadas da internet


Alfa ou Ômega...!


O trem balançava e com ele os pensamentos. Já fazia um ano e meio que sua rotina era determinada pelo trabalho arranjado por um “padrinho” que nem mesmo chegou a conhecer. Seu pai, um motorista profissional, foi quem conseguiu, por meio de um vereador, a vaga de porteiro no centro da cidade. No começo adorou sair de uma estatística e entrar em outra, menos vexatória, mais digna, pensava e gostava dessa imagem: estava empregado e com carteira assinada. Mas, as estações mudam e com elas o humor de muitas pessoas. Ele, que atravessou um verão, um outono, dois invernos e duas primaveras, via-se agora sendo empurrado ou se empurrando para o próximo verão sem o menor entusiasmo, diz mesmo que odeia, não o serviço em si, mas o ir e vir diário. As horas perdidas desde o despertar até a volta para casa no transporte popular somam-se, em estresse, mais do que as efetivamente trabalhadas. Isso não está certo. Precisava ter um emprego mais próximo de casa, dizia sempre. Os tempos eram difíceis, a crise não deixava muita escolha. No fim de setembro vislumbrou uma remota, mas esperançosa possibilidade de conseguir a vaga de porteiro do clube de futebol local. O salário era menor e incerto, contudo a crise chegou e o impediu, o clube faliu. Perdeu a grande oportunidade de sua vida. Maldita crise, pensava todos os dias enquanto o trem deslizava cambaleante sobre os trilhos da Leopoldina e da Central do Brasil.

Sentia falta de folgar aos domingos, sentia falta de folgar qualquer dia que fosse, não importava. A maioria dos amigos, sem emprego, reunia-se no campo do clube abandonado para uma pelada todo domingo de manhã. E se eu tivesse sido jogador de futebol? Será que me lembraria desse lugar escondido no pé da serra? Os pensamentos continuavam a maltratá-lo por toda a viagem de ida e vinda, todos os dias. Até que resolveu tentar uma coisa nova. Jogaria na megasena aos sábados. Queria jogar às quartas também, mas o dinheiro faltaria ao pão das quatro filhas, então decidiu-se pelo sábado e não pela quarta, pois nesse dia o sorteio parecia ser maior, só parecia, mas foi o que fez. Jogou, torceu, rezou para todos os santos e pediu a todos os orixás que o ajudassem com o sorteio. Sábado passado, quando um desses, não se sabe qual, portanto é lícito pensar que todos podem ter colaborado de alguma forma, ninguém sabe, resolveu ajudar o pobre porteiro.

Chegou em casa ainda sem saber do resultado. O dia foi triste. A senhora do escritório de contabilidade, a que lhe trazia sempre um contagiante bom dia acompanhado de um simpático sorriso, faleceu. Quem lhe contou foi o encanador do prédio, o Tião. Não gostava muito do Tião até aquele dia, mas ao ver as lágrimas brotando de seus olhos, viu que tinham algo em comum: a amizade pela senhora Flor; assim ele a chamava. Morreu de “infarte fulminante”, pelo menos foi o que disseram lá no escritório. Morava só, na Abolição. Ele nem percebeu que ela não apareceu para trabalhar naquele dia pela manhã. Também com tanta gente subindo e descendo, não podia mesmo se lembrar, nem mesmo de quem fazia seu dia mais ameno. Lamentou-se, mas resignou-se quase que simultaneamente.

Tomou banho, a mulher o serviu como de costume e reclamou da Julieta, a filha mais velha, oito anos. Contou que ela brigou na escola e mostrava as marcas de arranhões no rosto. Segunda -feira, ela, a mãe, precisava conversar com a professora e a diretora. Isso não ia ficar assim, a outra menina era bem maior e mais velha, tinha dez anos e morava naquele bairro depois da Praça do Macaco. Enquanto comia, a voz da mulher sumia, até que não ouviu mais uma só palavra. Essas ausências eram a forma que encontrou para não enlouquecer de vez. Não sabe bem como aconteceu, mas voltou à mesa de fórmica lisa e azul e se deu conta de que ainda não tinha conferido o resultado daquele dia. Ignorou uma vez mais as falas da mulher, caminhou autômato até a estante pequena, a qual sustentava a estatueta de São Jorge a ponto de desferir o derradeiro golpe sobre o dragão, forrada com papel rosa, picotado como bandeirolas, comprado no bazar do Joaquim. Levantou a estatueta e pegou o cartão, sentou-se no sofá de plástico florido, ligou a televisão e esperou em silêncio pelo noticiário. Antes de anunciar os números, o apresentador informou que nesse sorteio houve um e apenas um ganhador de muita sorte, pois o prêmio era de cinqüenta e três milhões, cento e vinte e quatro mil, seiscentos e oitenta e dois reais e trinta e nove centavos. Pensou que bem podia ser ele, apesar da quantia ser muito alta. Não queria tanto assim, preferia ganhar o suficiente para melhorar a vida das meninas e da mulher, trabalhar menos, ter mais tempo em casa, jogar bola com os amigos aos domingos. Esse era o sonho de sua perfeição, voltou a tempo de ouvir a sequência de números e conferir com os de seu cartão. Houve um lapso de tempo entre a conferência do resultado e a euforia que o tomou. A mulher não entendeu bem a reação. A ida à escola ainda a incomodava. Perderia tempo e o almoço atrasaria. Isso a tirava do sério. Entendeu menos quando ele, mudo, levantou-se do sofá e foi para o quarto. Não disse nada, apenas saiu da sala levando seu cartão de loteria.

Dormiu e saiu cedo, como sempre. Chegou no serviço, esperou a hora do almoço e foi checar os números na loteria, lugar que visitou durante nove meses. Conferiu uma, duas, três vezes e saiu. Voltou ao trabalho e cumpriu seu ritual. Até hoje ninguém mais o viu, alguns dizem tê-lo visto vagando pela Lapa, outros juram que ele tomou um navio grego na Praça Mauá e foi-se para a Europa. O fato é que sumiu, desapareceu. A mulher consultou um guia espiritual que afirma - e ela acredita: “ Ele foi abduzido por seres de outro planeta e é responsável por um portal de teletransporte no Tibet”.

Pensar!



Arrancaram o coração da montanha e o jogaram ao mar.

Algumas estrelas tentaram um protesto imediato, mas foram subjugadas e de tristes se apagaram.

Arrancaram o brilho do Sol e o remeteram às mais distantes galáxias dos multiversos.

Alguns homens choraram, mas calaram-se frente a ausência de cores que se instalou.

Arrancaram a Lua e a reduziram a pó, o qual se diluiu no espaço.

Só os apaixonados perceberam e nada puderam fazer contra.

Arrancaram a consciência do homem e tudo se desfez; depois disso, nada mais há.

Mas... e se houver um sorriso de criança?

Você é contra o bafômetro?

Em uma postagem anterior, eu já abordei a tal lei seca, mas confesso que fiquei estarrecido com a notícia que recebi e que agora lhes repasso. Leiam e reflitam sobre o que o link da UOL mostra.

Se aqui embaixo um acidente de trânsito pode tomar proporções inimagináveis, lá em cima, quando ocorre, o resultado não deixa dúvidas: é desastre mesmo.

http://noticias.bol.uol.com.br/internacional/2009/05/21/ult1859u1022.jhtm

21/05/2009 - 18h51

Piloto é preso em aeroporto de Londres após ser reprovado no teste do bafômetro

Do UOL Notícias
Em São Paulo

A polícia prendeu um piloto da companhia aérea "American Airlines" após ser reprovado no teste do bafômetro no aeroporto de Heathrow, em Londres, Reino Unido. A prisão foi feita na quarta-feira (20), mas a companhia e a polícia comunicaram o fato somente nesta quinta-feira (21), segundo a rede americana "CNN".

O piloto foi detido 20 minutos antes do horário do voo que ele deveria pilotar, com destino a Chicago, nos Estados Unidos.

Segundo um policial que pediu à "CNN" para não ter seu nome divulgado, prisões de pilotos bêbados não são ocorrências comuns. De acordo com Scott Shankland, porta-voz do sindicato dos pilotos, o teste de alcoolemia faz parte do programas de testes de drogas da agência reguladora da aviação nos EUA, mas "os testes são raros e feitos ao acaso. Definitivamente não são rotina".

Desde 1999, um total de 22 pilotos apelaram ao Conselho de Segurança dos Transportes Nacionais dos EUA após a agência de aviação ter imposto ações contra eles pelo consumo de álcool, segundo a "CNN". A rede de notícias americana afirma que nenhuma das apelações foi aceita.

A partir de hoje, preste muita atenção nas atitudes dos pilotos. Mas note bem, tem que ser antes da decolagem.

Enigma!

Há uns poucos anos eu tive uma conversa com um amigo. Nessa conversa surgiu um impasse, o qual eu marquei com o ditado: se correr o bicho pega, se parar o bicho come.

Meu amigo, um sujeito inteligentíssimo, disse-me que o jeito era andar. Eu pensei naquele momento nas respostas que eu tentara dar ao enigma e, até então, resultaram inúteis. Mas agora havia uma solução. O enigma estava resolvido, por fim.

Continuei pensando e pensando quase morri. Pudera, pego por outro ditado.

O fato é que constatei outro problema: caminhando será fatal o cansaço, o que levará a uma parada e então... não, sem chance, o bicho não vai se dar bem.

Bem, sábado passado eu estava com meu filho no barbeiro, quando uma conversa com outros dois cidadãos teve início. Um deles dizia que as tarifas que estavam cobrando por seus préstimos mal davam para cobrir os gastos, pagar as contas.

À primeira brecha entrei na conversa, queria saber a que atividade se referiam. Eram donos de uma empresa que aluga caçambas para coleta de entulhos de construções e outros.

Até aí tudo bem, nada de anormal. Mas quando perguntei o que achavam do risco que essas caçambas ofereciam aos motoristas, por ocuparem lugar junto às guias nas ruas, recebi como resposta que a lei garantia a utilização das tais. Certo, é verdade que a lei garante, mas o que a lei não garante é a segurança dos motoristas que se chocam com elas, as quais carecem de sinalização adequada por falta de manutenção. Tecemos vários comentários e citamos uma vasta casuística a respeito, mas, nada concluímos: eles a favor e eu contra, só.

Na segunda-feira, assistindo ao jornal local, soube que três cidadãos haviam perdido suas vidas por terem seus veículos colididos com caçambas: carro e moto. Isso me trouxe uma certa revolta, porque um dos meus argumentos, contrários à sua localização, foi o de que, se há risco, não será uma lei que o excluirá ou diminuirá; será, sim, nossa capacidade de entender esse risco e criar meios físicos de eliminá-lo ou diminuí-lo, tudo legalmente. Citei a vez em que quase colidi com uma em um dia de sol intenso e que por mera sorte não houve a colisão, foi puro reflexo o que evitou o acidente, pois eu estava em cima e a batida traria consequências, no mínimo, desagradáveis a minha família e a mim, materialmente falando. Não aconteceu, ainda bem. Mas, três pessoas não tiveram a mesma sorte no fim de semana.

O bicho é a necessidade que faz com que não se interrompam atividades de risco aos outros; sobreviver é preciso. Pará-la está fora de questão; seriam comidos pelo bicho, então continuam e até se entristecem ao enterrar seus mortos. Mas, só até as lágrimas secarem, as cortinas baixarem e se abrirem, para, então, começar o próximo ato.

Que pena!